Legislação de Combate a Incêndio em São Paulo: Principais Atualizações das Instruções Técnicas (ITs)

IT-08; IT-01; IT-14; IT-41; IT-23

Matheus Rowlands

6/29/20264 min read

photo of white staircase
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Atuar no mercado de incorporação, construção civil e plantas industriais no Estado de São Paulo exige muito mais do que o domínio de boas práticas de canteiro. Exige uma atualização jurídica e técnica constante. O arcabouço regulatório de Segurança Contra Incêndio de São Paulo, historicamente o mais rigoroso do país e que serve de balizador para os demais estados, passou por transformações profundas que impactam diretamente a aprovação de projetos e a execução de obras.

Com a consolidação do Decreto Estadual nº 69.118, que reformulou o Regulamento de Segurança Contra Incêndios de São Paulo, e a publicação da Portaria CCB nº 003/800, o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo (CBPMESP) substituiu integralmente o pacote anterior de Instruções Técnicas. Além disso, portarias complementares recentes trouxeram exigências inéditas para novas tecnologias construtivas e de mobilidade.

Para engenheiros residentes, gestores de contratos e arquitetos técnicos, desconhecer essas mudanças significa o pior dos cenários: ter o projeto técnico rejeitado, travar a emissão do AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros) e ser obrigado a executar adequações corretivas com a obra já concluída.

Abaixo, detalhamos as principais atualizações regulatórias em São Paulo e como adequar o seu fluxo de trabalho a elas.

1. O Novo Cenário do Licenciamento e Harmonização Legal

As novas Instruções Técnicas foram estruturadas sob dois grandes pilares: o aumento do rigor técnico para áreas de alta carga de incêndio e a simplificação burocrática para atividades de baixo risco, alinhando-se às diretrizes da Lei de Liberdade Econômica.

  • O que mudou na prática: Houve uma redefinição clara nos prazos de vigência e nos ritos processuais de regularização para o CLCB (Certificado de Licença do Corpo de Bombeiros) e para o AVCB através da IT-01.

  • O impacto na Engenharia: Projetos de alta complexidade (como indústrias e galpões logísticos) passam por processos de fiscalização mais detalhados e integrados a ferramentas digitais de análise de projeto. A responsabilidade técnica do engenheiro e do arquiteto ganhou um peso jurídico ainda maior na validação das condições de segurança.

2. Atualização em Segurança Estrutural e Carga de Incêndio (IT-08 e IT-14)

A determinação do Tempo Requerido de Resistência ao Fogo (TRRF) e o dimensionamento da proteção passiva de estruturas de aço e concreto ficaram mais refinados.

  • O que mudou na prática: A IT-14 trouxe uma revisão completa nas tabelas de densidade de carga de incêndio para diversas ocupações comerciais e industriais. Elementos de armazenamento e depósitos de alta complexidade ganharam critérios de clareza na separação entre carga específica e carga total.

  • O impacto na Engenharia: Como o TRRF (definido na IT-08) depende diretamente da carga de incêndio do espaço e da altura da edificação, os projetos estruturais precisam ser recalculados sob as novas densidades. Erros aqui invalidam a espessura de especificação de argamassas de densidade controlada ou tintas intumescentes, gerando retrabalho de cálculo e de aplicação em campo.

3. O Crescimento dos Veículos Elétricos: Regras Estritas para Garagens (IT-41)

Uma das atualizações mais impactantes para o mercado imobiliário e corporativo paulista diz respeito à infraestrutura para carregamento de veículos híbridos e elétricos. Através da Portaria nº 003/970, o Corpo de Bombeiros alterou a IT-41 (Inspeção visual em instalações elétricas de baixa tensão) para regulamentar o SAVE (Sistema de Alimentação de Veículos Elétricos).

  • O que mudou na prática: A instalação de pontos de recarga em garagens e estacionamentos agora exige o cumprimento rigoroso de medidas de segurança integradas, como sinalização fotoluminescente específica e critérios de desligamento de emergência de fácil acesso. Além disso, a responsabilidade civil e técnica pela instalação e garantia de eficiência do sistema recai integralmente sobre o engenheiro responsável ou empresa instaladora.

  • O impacto na Engenharia: Na renovação ou emissão do AVCB, a fiscalização verificará por amostragem e de forma visual os critérios do SAVE. Edificações novas já devem nascer com o projeto elétrico e de proteção contra incêndio totalmente adequados a essas subdiretrizes da IT-41 para evitar o bloqueio da licença.

4. Maior Rigor em Sistemas Ativos de Supressão (IT-23)

Para os profissionais envolvidos no detalhamento de sistemas hidráulicos e de sprinklers, a revisão das normas impôs novos padrões de qualidade para os componentes de combate.

  • O que mudou na prática: A IT-23 passou a exigir maior detalhamento nos critérios de dimensionamento, tabelas de densidade de descarga e áreas de operação em depósitos altos. Há também uma exigência explícita de chuveiros automáticos com certificação de resposta rápida para novos sistemas instalados em ocupações de risco leve.

  • O impacto na Engenharia: Acabou o espaço para a especificação de componentes genéricos ou sem certificações internacionais de laboratório. O projetista deve amarrar o memorial descritivo a produtos homologados, evitando que o cliente compre insumos que serão rejeitados na vistoria técnica de campo.

Conclusão: Engenharia Preventiva como Fator de Economia

A legislação de combate a incêndio em São Paulo mudou para acompanhar a evolução tecnológica das edificações e das novas matrizes energéticas urbanas. Para as construtoras e escritórios de engenharia, a conformidade técnica deixou de ser um trâmite cartorial e passou a ser um fator crítico de sucesso financeiro. Antecipar as exigências da IT-08, IT-14 e IT-41 no início do desenvolvimento do projeto executivo elimina o risco de alterações estruturais dispendiosas no final da obra.

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